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INFORMAÇÕES CLÍNICAS PARA CLASSE MÉDICA E DOENTES04 Agosto 2015
A APDF SEMPRE PROCURA AJUDAR ATRAVÉS DE INFORMAÇÕES CLÍNICAS PARA MÉDICOS E DOENTES!


Deste artigo que hoje publicamos, destacamos uma curiosidade que passamos a transcrever:

"Em consultórios neurológicos estes pacientes são mais comuns que os que sofrem de epilepsia, de derrames, de esclerose múltipla ou de doença de Alzheimer. Em consultórios de reumatologistas são mais comuns que lupus eritematoso sistêmico e artrite reumatóide."

FIBROMIALGIA

A síndrome da fribromialgia é uma constelação de sintomas e sinais crônicos, de natureza não inflamatória, com dor e desconforto, que afetam especialmente os músculos, tendões e, em menor grau, os componentes das articulações, como os ligamentos. É um quadro clínico que pode ser identificado, mas sua causa não é conhecida. Considerado um problema reumático durante muitos anos, vem agora recebendo atenção de neurologistas, já que muitos dos pacientes que sofrem de dores de cabeça crônicas e diárias, também tem as outras dores e desconfortos dos portadores de fribromialgia, que eram vistos pelos reumatologistas já há muitos anos.

Entre os sintomas característicos estão os pontos onde o paciente sente dor intensa:

• região occipital, na inserção dos músculos suboccipitais;
• trapézio, no ponto médio da borda superior;
• na origem do músculo supraespinhoso, sobre a espinha da escápula;
• lateral à articulação da segunda costela;
• no quadrante superior externo do glúteo.

Ao exame físico é comum que se note retração muscular, ou dor de menor intensidade, mais ampla que a dor mais aguda. Por exemplo, no topo da cabeça, na região do chapéu, ou na articulação da mandíbula. Sempre esta retração é da musculatura associada. Porém estes pacientes têm muitos problemas: distúrbios de sono, confusão mental, tontura, dificuldade de concentração, distúrbios de memória, fraqueza, fadiga, distúrbios do humor, dores de coluna e cefaléia. Muitos têm associadas outras síndromes de natureza obscura ou funcional, como síncope neurocardiogênica, tensão pré-menstrual, enxaqueca, dispareunia ou dor durante o coito, bexiga irritável, cistite idiopática, cólon irritável, síndrome pós-traumática, e até a síndrome pós-implante mamário de silicone.

Na verdade, o quadro clínico se sobrepõe ao da fadiga crônica, ao da cefaléia crônica diária e ao da cefaléia tensional, conforme conhecido pelos especialistas da área. Para os pacientes as complexidades diagnósticas são maiores, e com freqüência acham que têm neuralgias, hérnias de disco, artrose de joelho ou coxo-femoral, problemas de labirinto, e outros diagnósticos inconclusivos.
Estatísticas recentes indicam que 2% do total da população sofrem de fibromialgia. São 40000 pessoas numa cidade de 2 milhões de habitantes. Isto torna este problema um dos mais comuns em consultórios médicos. Em consultórios neurológicos estes pacientes são mais comuns que os que sofrem de epilepsia, de derrames, de esclerose múltipla ou de doença de Alzheimer. Em consultórios de reumatologistas são mais comuns que lupus eritematoso sistêmico e artrite reumatóide. Nas estatísticas americanas existe uma clara preponderância de mulheres com fribromialgia. São 3,4% das mulheres e 0,5% dos homens na população em geral. Possivelmente esta diferença está associada com a freqüência das ansiedades e depressões na população em geral, que também é diferente entre os sexos, mas esta é uma hipótese difícil de ser comprovada cientificamente.

Os pacientes com a síndrome da fribromialgia andam de consultório em consultório, de clínica em clínica de fisioterapia, tentando técnicas mais ou menos ortodoxas. Como a evolução natural da síndrome é crônica, os sintomas oscilam severidade e mesmo em forma. As dores mudam de local. Em alguns locais a dor é mais muscular, tem uma característica. Em outros é mais de tendão, a característica muda. É freqüente que pacientes entendam que uma melhora temporária foi causada por este ou aquele tratamento, alguma massagem, um novo colchão, um novo medicamento. Como regra geral, a melhora é sempre temporária.

Levando em conta a complexidade destas pessoas, cujos sintomas são físicos e mentais, neurológicos e reumatológicos, endócrinos e nutricionais, terá mais sucesso quem se especializar nestes casos. Os profissionais que aprenderem a modificar sua técnica de atendimento de acordo com as necessidades deste grupo de clientes. A prática vem mostrando que estes pacientes se congregam em torno de médicos fisioterapeutas que tem sucesso, pelo menos parcial, em ajudá-los. Porém, são casos complicados demais para serem atendidos por só um profissional. Uma equipe multidisciplinar motivada e com experiência teórica tem maior chance de sucesso. Isto já foi demonstrado em estudos realizados em países da Europa do Norte e da América do Norte, com equipes formadas por fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e médicos. Na verdade a composição da equipe depende muito mais de um líder que consiga motivar um grupo.

Composta de todos os médicos, nutricionista, fisioterapeuta e psicóloga, uma equipe multidisciplinar visa contribuir para uma análise cuidadosa de todos os casos, indicando uma rota de tratamento individualizada. Os primeiros passos são fornecer ao paciente informações básicas sobre a fibromialgia, esclarecer as várias opções de tratamento, complementar e maximizar a interação entre os profissionais da saúde e o paciente. Uma meta prioritária da nossa forma de atender estes pacientes é incentivar o desenvolvimento de técnicas mais sofisticadas de gerenciamento pessoal.

A nutricionista realiza a orientação individualizada da dieta, procurando o equilíbrio entre os nutrientes. Estimula a perda de peso quando necessária, bem como providencia orientações específicas no caso de doenças associadas como obesidade, diabetes ou hipertensão. É importante ressaltar que a pessoa precisa hábitos alimentares saudáveis. Um componente é a redução de doces, frituras e gorduras. Outro é aumentar o consumo de frutas, verduras e fibras. As necessidades calóricas diferem de pessoa para pessoa, pois dependem muito do metabolismo e da atividade física. A informação a respeito das medições que a pessoa está tomando é importante, pois a interação droga-nutrientes pode influenciar no sabor de determinados alimentos, bem como na sua ingestão. A integração medicina-nutrição-fisioterapia-psicologia é fundamental para a eficácia do tratamento.

A fisioterapia tem como objetivo reduzir a dor e preparar melhor a musculatura. Devido a dor generalizada e a sensação de fraqueza, o mais aconselhável é iniciar o tratamento com relaxamento, alongamentos e aparelhos que promovam analgesia e relaxamento muscular.

Após algumas semanas existe uma melhora significativa da dor, que permite iniciar um trabalho de condicionamento físico e fortalecimento muscular. Respeitando o limite de dor do paciente a atividade acaba tornando-se agradável.

A pessoa deve ser conscientizada de que o exercício físico é um hábito saudável que deve ser implantado em sua vida como algo permanente.

A psicoterapeuta utiliza a psicoterapia cognitiva comportamental como meio de auxílio escolhido para que os portadores de fibromialgia possam compreender melhor suas experiências e dificuldades. A escolha desta forma de psicoterapia de seu devido à objetividade, rapidez e eficácia desta linha terapêutica.
Através de psicoterapia cognitiva comportamental o paciente tem a oportunidade de perceber comportamentos seus que não o agradam, colocá-los em questionamento e decidir qual é a maneira mais adequada de reagir para que ela possa realmente se sentir mais feliz.

Não se pode deixar de ressaltar que o ser humano é composto da integração do seu corpo e da sua mente. Para que o corpo possa estar bem, é imprescindível que a mente esteja bem, também. Assim, preocupando-se consigo, com sua saúde mental e física o paciente estará, realmente, colocando em prática e busca da sua qualidade de vida.

O principal objetivo é auxiliar o paciente a encontrar ferramentas suficientes para lidar com suas questões, não só durante o tratamento psicológico, como por toda sua vida. Não se pode deixar de lembrar que o tratamento psicológico somente surtirá resultado se o paciente estiver participando efetivamente desse processo.

O médico é quem executa o diagnóstico da fibromialgia, baseado em dor em vários locais, ansiedade, depressão, nos pontos de tensão e distúrbios do sono. As síndromes da fadiga crônica, articulação temporo-mandibular, ainda são consideradas no diagnóstico diferencial. O médico requisita exames que sirvam para descartar doenças que possam apresentar sintomas similares aos do paciente.

Após fazer o diagnóstico explica os mecanismos de produção dos sintomas, faz a indicação medicamentosa e encaminha aos cuidados da equipe multidisciplinar. Os medicamentos utilizados são analgésicos e antidepressivos.

Uma participação mais ativa do médico é necessária naqueles pacientes que tem dor crônica de longa de longa duração, e que incorporaram ao seu esquema de vida o uso continuado de medicamentos. Muitas vezes estão francamente aditos a medicamentos, principalmente do grupo dos benzodiazepínicos. O médico tem mais trabalho nestes casos.


Paulo Rogério M. de Bittencourt
Edição Independente - Unidade de Neurologia Clínica S/C Ltda
FIBROMIALGIA - DESFAZER UM ESTIGMA - MAIS PROVAS REAIS DA PATOLOGIA04 Agosto 2015

FIBROMIALGIA - DESFAZER UM ESTIGMA

MAIS PROVAS REAIS DA PATOLOGIA


Uma nova investigação descobriu ainda mais provas de que as pessoas com fibromialgia têm uma patologia real e que pode estar relacionada com problemas para processar imagens e sons quotidianos.

Num artigo publicado em Setembro de 2014 na revista Arthritis & Rheumatology, Marina López-Sola, da Universidade de Colorado, Estados Unidos, mostrou que as pessoas que sofrem de fibromialgia são hipersensíveis à estimulação sensorial quotidiana. Isto inclui os sinais transmitidos à visão e audição assim como ao tacto. A fibromialgia provoca um grande mal-estar geral, para além de dor severa e vários outros sintomas.

Utilizando imagens de ressonância magnética funcional (fMRI), os investigadores mostraram uma diminuição da resposta nas regiões visuais e auditivas do cérebro em pacientes com fibromialgia, onde se esperaria ver um aumento. Em contrapartida, as regiões de integração sensorial mostraram uma maior actividade.


"O nosso estudo proporciona NOVAS PROVAS de que os pacientes com fibromialgia apresentam alterações no processamento central na resposta à estimulação multisensorial, que está vinculado aos sintomas núcleo da fibromialgia e pode ser parte da patologia da doença" disse López-Sola num comunicado de imprensa. "A descoberta da redução de activação cortical nas áreas cerebrais visuais e auditivas que se associa às queixas de dor dos pacientes pode oferecer novos objectivos para os tratamentos com neuroestimulação nos pacientes com fibromialgia."

O estudo incluiu 35 mulheres com fibromialgia e 25 indivíduos-controle sãos, agrupados por idade. Os pacientes tinham uma idade média de 47 anos e uma duração da doença de 7 anos.

Frank L. Rice, um cientista que publicou um estudo no ano passado sobre as possíveis causas de dor na fibromialgia, diz que a investigação de López-Sola é sólida e sensata. Disse ainda que, há 3 anos atrás, nunca teria imaginado que tantas provas físicas surgissem sobre esta doença misteriosa que, em grande medida, tivessem descartado uma origem psicológica para a fibromialgia.

"Agora temos melhor informação sobre o que acontece. O problema é que a comunidade médica e o público em geral ainda não sabem que é isto que acontece.

VAMOS DESFAZER-NOS DO ESTIGMA."


A CIÊNCIA ASSINALA POSSÍVEIS CAUSAS PARA A DOR NA FIBROMIALGIA

A investigação do Dr. Rice demonstrou que as pessoas com fibromialgia têm uma enorme quantidade de fibras nervosas sensoriais nos vasos sanguíneos nas palmas das mãos. As derivações nos vasos sanguíneos, que funcionam como um radiador para abrir num clima frio, podem explicar o aumento de dor nos pacientes durante os meses frios do Inverno.

Agora a investigação da Dra. López-Sola mostra que os sinais sensoriais não estão a ser processados nas áreas apropriadas do cérebro, nas pessoas com fibromialgia.

A teoria é que o sistema nervoso central, quando está são, aprende como responder a uma estimulação rotineira e, finalmente, processa-o em segundo plano. O que este estudo demonstra é que os cérebros dos pacientes com fibromialgia não reconhecem estes sinais e que, mais tarde, os amplificam quando estes deveriam estar a ser processados em segundo plano.

Por exemplo, quando se entra numa casa pela primeira vez, reconhece-se um determinado cheiro característico. Talvez na segunda visita se reconheça também. Porém, numa terceira vez, já não se deveria notar o tal cheiro e o cérebro concentrar-se-ia apenas na conversa que se tem com as pessoas que se visitam.

O processamento sensorial incorrecto no cérebro e um crescimento excessivo das terminações nervosas nas palmas das mãos podem ser apenas duas peças do grande quebra-cabeças da fibromialgia. Porque acontecem continua a ser um mistério.

O Dr. Rice diz que a fibromialgia, como outras doenças ainda sem explicação, é uma doença multimodal. Os sintomas podem ser causados por uma combinação de factores. Daí resulta que, muitas vezes, os diferentes especialistas se centrem apenas num sintoma que tentam, infrutíferamente, tratar. Quando o tratamento não funciona, desistem, o que leva médicos e pacientes a sentirem-se ainda mais frustrados.


A FIBROMIALGIA É COMO UMA MÁ EXPERIÊNCIA NUM PARQUE DE DIVERSÕES


O Dr. Rice descreveu a disfunção que acontece no sistema nervoso das pessoas com fibromialgia como uma ida ao cinema IMAX que correu muito mal. Os filmes IMAX fazem-se com várias câmaras montadas em camiões ou aviões, com todas a filmarem em direcções diferentes. Vamos supor que são as diversas peças do sistema nervoso central.

"Se for a um IMAX dizem-lhe para não olhar para o lado e sim para a frente. Se olhar para o lado, o centro da retina que deveria estar focado na câmara central e ser estático, acaba por receber a percepção do movimento. Aí o cérebro diz: espera, alguma coisa não bate certo, eu não estou em movimento."

Do mesmo modo o cérebro pode ser enganado pelos efeitos sensoriais que se usam nos parques temáticos ou de atracções.

Os sinais visuais e auditivos, combinados com efeitos como ventilação para criar a sensação de vento na cara, podem dar a sensação de se estar a fazer uma viagem muito física quando na realidade estamos dentro de um espaço confinado.

O cérebro humano é uma ferramenta poderosa; quando algo de errado se passa na forma como recebe e processa a informação, pode ser criado um mundo de dor e confusão.


Regiões nas quais a activação por tarefa é significativamente relacionada com medidas de hipersensibilidade ao som (A) e ao toque (B).



Regiões nas quais a activação por tarefa é significativamente relacionada com a severidade dos sintomas nos pacientes com fibromialgia.

A - correlação entre a activação cerebral e os resultados obtidos no FIQ - questionário sobre o impacto da fibromialgia.

B - correlação entre a activação cerebral e o resultado do FIQ no item 1 que avalia a incapacidade de realizar diversas actividades da vida diária.

C - correlação entre a activação cerebral e a dor espontânea.


Regiões cerebrais importantes, mediadoras da relação entre hipersensibilidade multissensorial e categoria clínica (fibromialgia [FM] diagnóstico presente contra ausente).



Fonte:

"Altered Functional Magnetic Resonance Imaging Responses to Nonpainful Sensory Stimulation in Fibromyalgia Patients"
Marina Lópe
Links de Interesse para Doentes e Classe Médica04 Agosto 2015



https://drive.google.com/open…


https://youtu.be/ZZ-zQcYVVhA





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