Testemunho de Ilda Silva

 DOR E BELEZA (os sentidos)

Sofremos de uma doença,
Incapacitante, degenerativa...
Dolorosa e cruel!
Nada se pode fazer, senão...
Habituarmo-nos à dor!
Mas há coisas, que nem a doença,
Nem ninguém nos pode tirar...
Os sentidos!
O luar na noite escura,
O azul do céu no Verão,
A luz do sol intenso,
O verde.
O amarelo, o vermelho,
As cores da natureza,
Que Deus criou para todos!
São aves que esvoaçam,
São borboletas de flor em flor,
São trepadeiras floridas...
E o vento que sopra;
Ora forte, ora sereno!
São as ondas de um mar bravo,
É a acalmia das marés,
É toda uma imensidão,
De mar, de terra, de rios e lagos,
Que os nossos olhos contemplam!
É tudo isto e muito mais,
Que nos faz esquecer...
As dores difusas e cruéis,
Que a nossa doença;...
Nos faz sentir mal!...
E entrar em depressão!
Olhemos melhor...
Tudo o que de belo nos rodeia,
Para amenizar um pouco,
A crueldade da dor!
A dor física, moral e social,
Que no nosso corpo...
Já martirizado...
Se instalou,
E veio para ficar!
Olhemos o belo!



Ilda Silva
Doente fibromialgica
18/06/2006
(54 anos)

 

 

DOR

Foge-me a vida...
Como a areia!...
Por entre os dedos da mão!
São tonturas,
Devaneios,
São desilusões;
E a doença que...
Tanto me atormenta!
Quando quero ser forte,
As dores sobrepõe-se...
A todos os meus esforços,
A todas as expectativas,
A toda a vontade!
O equilíbrio físico,
Junta-se ao emocional!
E eu caio!
Caio literalmente,
Ao ponto de me magoar,
No corpo e no espírito!
Quanto ao coração...
Parece não existir!
Pois dá lugar à revolta,
Ao medo, à frustração e...
À instabilidade!
Pois ninguém entende,
O que é sofrer,
Porque não sofre!
A dor da fibromialgia,
Não é contagiosa!...
Mas a dor da alma,
Vê-se num simples olhar!
Mas à quem olhe...
Com olhos de ver, e vê a dor;
Aquela que se estampa,
No rosto de quem sofre!



Ilda
31/05/2006

 

 

FIBROMIALGIA II

Pouco a pouco vem chegando,
E de mansinho se instala;
E julgamos ser os ossos!
Só depois vem o cansaço,
E as dores em qualquer sítio.
E os ossos? Serão os nossos?

Julgava sofrer dos ossos,
E deles sofro também,
Mas a maldita doença;
Veio sem ser esperada, e eu já desesperada,
Não tenho nada que a vença!

Esta doença maldita,
Que me torna incapaz;
Há-de um dia ser vencida!
Eu não andava devagar,
Corria a bom correr,
Sem saber p'ra onde a ida!

Quiexamo-nos de tudo um pouco,
A dor é difusa e forte;
Será que para ela acabar...
Temos de espererar a morte?

Baixamos a auto-estima,
E tiram-nos a dignidade;
Somos tantas a sofrer...
Onde está a igualdade?



Ilda Rosa da Silva (I.R.S.)


 

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